As mulheres estão presentes em todos os níveis da hotelaria. São camareiras, recepcionistas, supervisoras, coordenadoras, gestoras e CEOs. No Brasil, elas ocupam cerca de 57% dos empregos formais nos segmentos de alojamento e alimentação.
Ainda assim, quando o assunto é liderança, os números diminuem: apenas 19% a 24% dos cargos de chefia nos hotéis são ocupados por mulheres e menos de 8% das posições de CEO estão sob liderança feminina.
Análises de mercado divulgadas por entidades como a FHORESP e publicações especializadas como o Hotelier News reforçam esse cenário: o desafio não está apenas na entrada das mulheres no setor, mas na consolidação de sua presença nos espaços de decisão.
Caminhos em construção: o espaço feminino na hotelaria
Apesar dos avanços na presença e na qualificação das mulheres na hotelaria, ainda existem fatores que influenciam a distribuição de oportunidades no setor.
Ao longo do tempo, funções operacionais como governança e limpeza passaram a ser associadas a características culturalmente ligadas ao cuidado e à organização. Isso contribuiu para que muitas profissionais se concentrassem nessas áreas, que nem sempre oferecem os mesmos caminhos de crescimento para cargos estratégicos.
Além disso, mulheres jovens ou mães podem enfrentar dúvidas implícitas ao assumir posições de maior responsabilidade. Em áreas como manutenção ou cargos executivos, a presença feminina ainda está em processo de ampliação.
Esse cenário contribui para diferenças salariais que podem chegar a 22% no setor. Por isso, reconhecer esses pontos é essencial para ampliar oportunidades e fortalecer uma hotelaria cada vez mais inclusiva, equilibrada e preparada.
As mulheres têm conquistado mais espaço no setor
Se por um lado ainda existem desafios, por outro os avanços são claros e consistentes. Nos últimos anos, a presença feminina em posições de liderança na hotelaria brasileira tem crescido de forma relevante.
Em 2019, a participação de mulheres em cargos mais altos era estimada em cerca de 8%. Já em 2022, elas passaram a ocupar aproximadamente 24% das posições de chefia no setor, sinalizando uma evolução importante.
Redes hoteleiras vêm fortalecendo esse movimento ao investir em políticas de diversidade e programas internos de desenvolvimento. O Plaza Premium Group, por exemplo, registra mais de 50% de mulheres em seu quadro de liderança em determinadas operações.
Já a Marriott International mantém iniciativas globais voltadas à equidade e à formação de lideranças femininas, ampliando o acesso a cargos estratégicos.
Liderança que transforma
Estudos de mercado indicam que equipes diversas tendem a apresentar melhores índices de inovação, retenção de talentos e satisfação do cliente. Na prática, lideranças femininas têm fortalecido culturas organizacionais mais colaborativas, com foco em empatia, sustentabilidade e experiência do hóspede.
Essa mudança de perspectiva impacta diretamente os resultados. Ambientes de trabalho mais inclusivos favorecem o engajamento das equipes, reduzem a rotatividade e elevam avaliações de serviço. A hospitalidade, por essência, envolve atenção aos detalhes e capacidade de escuta ativa, competências cada vez mais valorizadas em modelos contemporâneos de gestão.
Um exemplo expressivo é o da Ribalta, que registra cerca de 76% de mulheres em posições de liderança em algumas unidades. O resultado é uma estrutura mais diversa, com decisões compartilhadas e maior sensibilidade às transformações do mercado.
Esse movimento também aponta para o futuro da hotelaria. A nova geração de líderes prioriza equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ambientes mais humanos e estratégias sustentáveis de crescimento.
Alguns obstáculos impactam a trajetória profissional das mulheres na hotelaria
O cenário é de avanço, mas também de reflexão. Alguns pontos seguem exigindo atenção quando se trata da carreira feminina na hotelaria:
Dupla jornada
A conciliação entre responsabilidades familiares e carreira ainda é um fator decisivo para muitas profissionais, especialmente em funções que exigem alta disponibilidade ou escalas extensas.
Desigualdade salarial
Diferenças de remuneração podem chegar a cerca de 22% em comparação aos homens, refletindo tanto a concentração em cargos distintos quanto desafios estruturais de progressão.
Falta de redes de apoio e representatividade
A baixa presença feminina em conselhos e cargos estratégicos mantém um ciclo de sub-representação, reduzindo oportunidades de networking e influência nas decisões.
Restrições legais e operacionais
Em alguns contextos, limitações relacionadas a horários noturnos ou escalas específicas podem dificultar o acesso a determinadas posições, especialmente em áreas estratégicas da hotelaria.
Ambientes pouco inclusivos
Casos de assédio, preconceito ou resistência à liderança feminina ainda são relatados, reforçando a importância de políticas internas claras e efetivas.
A hotelaria do amanhã começa hoje
Em dez anos, o turismo brasileiro registrou crescimento superior a 24%, ampliando oportunidades e fortalecendo a cadeia hoteleira. Esse cenário de expansão abre espaço para uma discussão essencial: crescimento sustentável passa, necessariamente, por inclusão.
Por isso, investir em políticas de equidade, programas de liderança e ambientes corporativos mais inclusivos não é apenas uma pauta social, mas uma decisão estratégica para empresas que desejam se manter competitivas no longo prazo.
A Conamore acredita que uma hotelaria mais diversa é também uma hotelaria mais forte. Ao apoiar iniciativas que promovem inclusão e excelência operacional, reforça seu compromisso com um setor mais preparado para o futuro.
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